Na casa de sempre
Fazia loucuras
Roubava doçuras
De moças ardentes
Que apaixonadas, dementes
Se entregavam ao fim
Com corpo e gosto al dente.
Ele juntava como selos
Paixões, crimes, desejos
Fósforos que, mesmo
apagados
Já os via acesos
Sem nenhuma prepotência
(Até porque sem
consciência)
Continuava em seus beijos.
Fez uma, duas, três vezes
Como se tivesse razão
Não parecia delito
Pra ele começava a ser são
Um cálculo talvez
abominável
Repito – para ele era
amável
Ser assim apadrão.
A primeira começou de mãos
dadas
Aquela história de calçada
Namoro na sala, beijo na
boca
Quando a família não tá
acordada
Até que cansou disso tudo
E fez um piquenique absurdo
Onde ele se convidou pra
comer o defunto.
Com a segunda foi diferente
Não sentia cosquinha, é
evidente
Sentia tesão por ter ali,
tão perto
Alguém tão certa de seus
desejos.
Porém ela se limitou tanto
Que ele, não sendo tão
santo,
Fez um prato ao seu manto.
Com a terceira foi mais
sublinhado
Um parto rosa, um pai
abobado
Ano após ano manteve-se
inerte
No entanto, o desejo que
repete, vicia
Então, de baixo de sol que
não se fazia
Colheu de sua cria o
suspiro da vida
Seguindo adiante
rasgou-lhe as peles frias
E a tal hora presenciou o
triste
Porém agora era tarde
Mordeu a terceira ainda
com vida
Que o grito sibilou pela
avenida
E tanto sangue ainda não
foi capaz
De acabar com esse desejo
Da carne que lhe satisfaz.